A FRANCO MAÇONARIA DE 1789 A 1898
HISTÓRICO
Seguimos a história do Grande Oriente e do Rito Templário até 1789; continuemo-la
até nossos dias.
a) Grande Oriente – O Grande Oriente possui a tradição mais ou menos integral dos
três primeiros graus e após 1786, detém igualmente a tradição dos graus templários e de
outros graus formando a Maçonaria de perfeição com 25 graus, analisada a seguir. Um
grande colégio de ritos foi encarregado de conservar essa tradição que permitia realizar
os maçons saídos do Grande Oriente com os do resto do universo.
Em 1804, um acordo foi estabelecido, durante alguns meses, que concedia ao Grande
Oriente o poder de conferir os graus 31, 32, 33 por intermédio do Rito Escocês, do qual
falaremos adiante.
Mas sob pretexto de livrar a Franco-Maçonaria das superstições e dos erros do
passado, os membros do Grande Oriente, instigados pelos deputados das Lojas do
interior, cada qual mais ignorante do valor dos símbolos, transformaram ao gosto da
multidão eleitoral o legado que lhes tinham confiado e tornaram-se um centro de política
ativa, professando abertamente o materialismo e o ateísmo.
Em 1885, a transformação estendeu-se ao Colégio dos Ritos, ainda depositário de um
resto de tradição. O elo que unia a maior parte dos maçons franceses ao resto do
universo foi definitivamente rompido.
No momento em que tinha maior necessidade de estender sua influência ao exterior,
exercer uma vigilância efetiva na ação das potências estrangeiras no interior dos centros
maçônicos de outros países, a França estava excluída da comunidade maçônica
internacional por culpa do Grande Oriente. Por ocasião da Exposição Universal de
Chicago, quando o presidente do novo Conselho dos Ritos (o mais alto oficial do
Grande Oriente) apresentou-se à porta das Lojas americanas, foi colocado na rua como
um vulgar profano, como na realidade ele era, para os verdadeiros maçons.
Eis o teor de tão grave ato cometido em 1885:
“Por decreto promulgado em 9 de novembro de 1885, o Grande Oriente da França,
conforme decisão tomada em 31 de outubro último pela Assembléia Geral da Lojas
Simbólicas da Obediência, ordena a dissolução do Grande Colégio do Ritos e
encarrega o Conselho da Ordem de velar por sua reconstituição”.
O grande chanceler protestou da seguinte maneira, mas em vão:
“Vós me enviastes uma ampliação do decreto da Assembléia Geral das Lojas
Simbólicas, com data de 31 de outubro último (1885), pronunciando a dissolução do
Soberano Conselho dos Grandes Inspetores Gerais do Rito Escocês Antigo e Aceito,
que sob o título de Grande Colégio dos Ritos, constitui, no seio do Grande Oriente da
França, o Supremo Conselho para a França e Colônias Francesas”.
“Esta decisão, que sob pretexto de reorganização, derrubou todos os princípios e
todas as tradições da Franco-Maçonaria Universal, é absolutamente ilegal pela
incompetência de todos aqueles que a tomaram”.
FERDEUIL
(Grande Chanceler do Grande Conselho dos Ritos)
Todos os esforços possíveis foram feitos no Grande Oriente para ocultar aos irmãos
que entravam na Ordem a maneira pela qual os membros desse rito são julgados no
exterior e tomou-se o cuidado de dizer-lhes que não seriam recebidos em nenhuma parte
uma vez saídos da França ou de qualquer uma de suas colônias. As grandes palavras de
razão, superstição esmagada, princípios de liberdade, etc., substituem as tradições da
Maçonaria Universal. Esses grandes simplórios ficam ainda bem lisonjeados quando um
maçom de origem estrangeira vem, como visitante, verificar se a separação da França e
do resto do mundo ainda continua. Recebe-se o visitante com grandes honras, mas este,
retornando, esforçar-se-á em colocar na rua o venerável da loja francesa, se ousar
apresentar-se, por seu turno, a uma reunião em seu país.
Assim, o Grande Oriente está destinado a desaparecer, mesmo com sua prosperidade
aparente, se não retornar rapidamente a uma melhor compreensão dos interesses reais do
País.
Terminaremos esta exposição, citando algumas palavras de Albert Pike: "O Grande
Oriente da França esteve sempre nas mãos dos três "I": Ignorantes, Imbecis e
Intrigantes".
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quinta-feira, 9 de julho de 2009
O RITO TEMPLÁRIO E O ESCOCISMO
O RITO TEMPLÁRIO E O ESCOCISMO
A Franco-Maçonaria, como vimos, foi estabelecida na Inglaterra por membros da
Fraternidade dos Rosa-Cruzes, desejosos de constituir um centro de propaganda e
recrutamento para sua ordem. A Franco-Maçonaria Inglesa possuía somente três graus:
Aprendiz, Companheiro e Mestre. Em razão disso, a Franco-Maçonaria Francesa e o
Grande Oriente, seu ramo principal, eram formados por membros possuidores apenas
dos três primeiros graus. Mas, logo determinados homens pretenderam ter recebido uma
iniciação superior, de acorde com os mistérios da fraternidade dos Rosa-Cruzes. Os ritos
criaram-se concedendo graus superiores ao grau de Mestre, chamados altos graus.
O espírito dos ritos dos graus superiores, assim criados, era naturalmente diferente
daquele da maçonaria propriamente dita. Foi assim que RAMSAY instituiu o Sistema
Escocês, cuja base era política e cujo ensinamento tendia a fazer de cada irmão um
vingador da Ordem do Templo . Eis porque demos o nome de Rito Templário a essa
criação de RAMSAY.
As reuniões dos irmãos detentores de altos graus passaram a denominar-se não mais
lojas, mas capítulos. Os principais capítulos estabelecidos na França foram:
1º – O Capítulo de Clermont (Paris 1752), de onde saiu o Barão de Hunt, criador da
alta maçonaria alemã ou iluminismo alemão;
2º – Após o capítulo de Clermont, nasceu o Conselho dos Imperadores do Oriente e
do Ocidente (Paris, 1758), do qual certos membros, separando-se de seus irmãos,
formaram:
3º – Os Cavaleiros do Oriente (Paris, 1763), cada uma dessas potências expedia
cartas de lojas e os principais irmãos (Tshoudy, Boileau, etc. ) criaram ritos especiais no
interior da França.
Em 1782, o Conselho dos Imperadores e os Cavalheiros do Oriente uniram-se para
formar o Grande Capítulo Geral da França, cujos principais membros tinham ajudado
na constituição do Grande Oriente por suas intrigas. Assim, também vemos em 1786,
esses irmãos realizarem a fusão do Grande Capítulo Geral da França. Qual foi o
resultado dessa fusão? Os membros do Grande Capítulo, bem disciplinados, perseguindo
um objetivo preciso e sendo inteligentes, puderam dispor do número fornecido pelo
Grande Oriente.
Compreende-se agora a gênese maçônica da Revolução Francesa. A maior parte dos
historiadores confunde esses membros do Rito Templário, verdadeiros inspiradores da
revolução com os Martinistas.
A Franco-Maçonaria, como vimos, foi estabelecida na Inglaterra por membros da
Fraternidade dos Rosa-Cruzes, desejosos de constituir um centro de propaganda e
recrutamento para sua ordem. A Franco-Maçonaria Inglesa possuía somente três graus:
Aprendiz, Companheiro e Mestre. Em razão disso, a Franco-Maçonaria Francesa e o
Grande Oriente, seu ramo principal, eram formados por membros possuidores apenas
dos três primeiros graus. Mas, logo determinados homens pretenderam ter recebido uma
iniciação superior, de acorde com os mistérios da fraternidade dos Rosa-Cruzes. Os ritos
criaram-se concedendo graus superiores ao grau de Mestre, chamados altos graus.
O espírito dos ritos dos graus superiores, assim criados, era naturalmente diferente
daquele da maçonaria propriamente dita. Foi assim que RAMSAY instituiu o Sistema
Escocês, cuja base era política e cujo ensinamento tendia a fazer de cada irmão um
vingador da Ordem do Templo . Eis porque demos o nome de Rito Templário a essa
criação de RAMSAY.
As reuniões dos irmãos detentores de altos graus passaram a denominar-se não mais
lojas, mas capítulos. Os principais capítulos estabelecidos na França foram:
1º – O Capítulo de Clermont (Paris 1752), de onde saiu o Barão de Hunt, criador da
alta maçonaria alemã ou iluminismo alemão;
2º – Após o capítulo de Clermont, nasceu o Conselho dos Imperadores do Oriente e
do Ocidente (Paris, 1758), do qual certos membros, separando-se de seus irmãos,
formaram:
3º – Os Cavaleiros do Oriente (Paris, 1763), cada uma dessas potências expedia
cartas de lojas e os principais irmãos (Tshoudy, Boileau, etc. ) criaram ritos especiais no
interior da França.
Em 1782, o Conselho dos Imperadores e os Cavalheiros do Oriente uniram-se para
formar o Grande Capítulo Geral da França, cujos principais membros tinham ajudado
na constituição do Grande Oriente por suas intrigas. Assim, também vemos em 1786,
esses irmãos realizarem a fusão do Grande Capítulo Geral da França. Qual foi o
resultado dessa fusão? Os membros do Grande Capítulo, bem disciplinados, perseguindo
um objetivo preciso e sendo inteligentes, puderam dispor do número fornecido pelo
Grande Oriente.
Compreende-se agora a gênese maçônica da Revolução Francesa. A maior parte dos
historiadores confunde esses membros do Rito Templário, verdadeiros inspiradores da
revolução com os Martinistas.
A ENCICLOPÉDIA
A ENCICLOPÉDIA
Dissemos que os fatos sobre os quais os historiadores baseiam-se foram, na maioria
dos casos, conseqüência de ações ocultas. Ora, pensamos que a revolução não seria
possível se esforços consideráveis não tivessem sido feitos precedentemente, para
orientar em um novo caminho a intelectualidade da França. É agindo sobre os espíritos
cultivados, criadores da opinião, que se prepara a revolução social. Iremos encontrar,
agora, uma prova decisiva sobre esse fato.
Em 25 de junho de 1740, o Duque D’Antin, Grão-Mestre da Franco-Maçonaria da
França, pronunciou um importante discurso no qual anunciou o grande projeto em curso,
como demonstra a seguinte citação:
“Todos os Grão-Mestres da Alemanha, Inglaterra, Itália e de outros lugares,
exortam todos os sábios e artesãos da confraternidade a se unirem para fornecer os
materiais de um dicionário universal das artes liberais e das ciências úteis, exceto
teologia e política. Já se começou a obra em Londres; e pela reunião de nossos
confrades, poder-se-á conduzi-la à perfeição em poucos anos”.
Amiable e Colfavru, em seus estudos sobre a Franco-Maçonaria no séc. XVIII,
compreenderam perfeitamente a importância desse projeto, pois, após terem falado da
Enciclopédia Inglesa de Chambers (Londres 1728), acrescentam:
“Bem mais prodigiosa foi a obra publicada na França, contendo 28 volumes infólio,
sendo 17 com texto de 11 com gravuras, aos quais foram acrescentados, em
seguida, cinco volumes suplementares, obra cujo autor principal foi Diderot, secundado
por uma plêiade de escritores de elite. Mas não lhe bastava ter colaboradores para a
boa execução de sua obra; foi-lhe necessário potentes protetores. Como poderia ter
sido protegido sem a Franco-Maçonaria?
“Além disso, as datas aqui são demonstrativas: O Duque D’Antin pronunciou seu
discurso em 1740; sabe-se que, desde 1741 Diderot preparava sua grande empresa. O
privilégio indispensável à publicação foi obtido em 1745. O primeiro volume da
Enciclopédia apareceu em 1751”.
Assim a revolução já se manifestava em duas etapas: a) Revolução Intelectual,
originada da Enciclopédia, com apoio da Franco-Maçonaria Francesa, sob a alta
impulsão do Duque D’Antin (1740); b) Revolução Oculta nas lojas, promovida em
grande parte pelos membros do Rito Templário e executado por um grupo de Franco-
Maçons expulsos, depois anistiados do Duque de Luxemburgo (1773) e presidência do
Duque de Chartres.
A revolução patente na sociedade, isto é, a aplicação à sociedade das constituições
das lojas não tardou. Retomemos a história do Grande Oriente no ponto onde a
deixamos. Uma vez constituída, a nova potência maçônica apelou a todas as lojas para
ratificar a nomeação do Duque de Chartres como Grão-Mestre.
Ao mesmo tempo (1774), o Grande Oriente instalava-se no antigo noviciado dos
Jesuítas, à rua do Pot-de-Fer, procedendo à expulsão das ovelhas sarnentas. Centro e
quatro lojas aderiram ao novo estado de coisas; mais tarde, 195 (1776); finalmente, em
1789 havia 629 lojas em atividade.
Mas um fato, em nossa opinião considerável, produziu-se em 1786. Os capítulos do
Tiro Templário tornaram-se oficialmente aliados ao Grande Oriente, chegando a fundirse
com ele. Vimos como os irmãos desse rito ajudaram na revolta de onde nasceu o
Grande Oriente. Passemos a resumir, agora, a história do Rito Templário.
Dissemos que os fatos sobre os quais os historiadores baseiam-se foram, na maioria
dos casos, conseqüência de ações ocultas. Ora, pensamos que a revolução não seria
possível se esforços consideráveis não tivessem sido feitos precedentemente, para
orientar em um novo caminho a intelectualidade da França. É agindo sobre os espíritos
cultivados, criadores da opinião, que se prepara a revolução social. Iremos encontrar,
agora, uma prova decisiva sobre esse fato.
Em 25 de junho de 1740, o Duque D’Antin, Grão-Mestre da Franco-Maçonaria da
França, pronunciou um importante discurso no qual anunciou o grande projeto em curso,
como demonstra a seguinte citação:
“Todos os Grão-Mestres da Alemanha, Inglaterra, Itália e de outros lugares,
exortam todos os sábios e artesãos da confraternidade a se unirem para fornecer os
materiais de um dicionário universal das artes liberais e das ciências úteis, exceto
teologia e política. Já se começou a obra em Londres; e pela reunião de nossos
confrades, poder-se-á conduzi-la à perfeição em poucos anos”.
Amiable e Colfavru, em seus estudos sobre a Franco-Maçonaria no séc. XVIII,
compreenderam perfeitamente a importância desse projeto, pois, após terem falado da
Enciclopédia Inglesa de Chambers (Londres 1728), acrescentam:
“Bem mais prodigiosa foi a obra publicada na França, contendo 28 volumes infólio,
sendo 17 com texto de 11 com gravuras, aos quais foram acrescentados, em
seguida, cinco volumes suplementares, obra cujo autor principal foi Diderot, secundado
por uma plêiade de escritores de elite. Mas não lhe bastava ter colaboradores para a
boa execução de sua obra; foi-lhe necessário potentes protetores. Como poderia ter
sido protegido sem a Franco-Maçonaria?
“Além disso, as datas aqui são demonstrativas: O Duque D’Antin pronunciou seu
discurso em 1740; sabe-se que, desde 1741 Diderot preparava sua grande empresa. O
privilégio indispensável à publicação foi obtido em 1745. O primeiro volume da
Enciclopédia apareceu em 1751”.
Assim a revolução já se manifestava em duas etapas: a) Revolução Intelectual,
originada da Enciclopédia, com apoio da Franco-Maçonaria Francesa, sob a alta
impulsão do Duque D’Antin (1740); b) Revolução Oculta nas lojas, promovida em
grande parte pelos membros do Rito Templário e executado por um grupo de Franco-
Maçons expulsos, depois anistiados do Duque de Luxemburgo (1773) e presidência do
Duque de Chartres.
A revolução patente na sociedade, isto é, a aplicação à sociedade das constituições
das lojas não tardou. Retomemos a história do Grande Oriente no ponto onde a
deixamos. Uma vez constituída, a nova potência maçônica apelou a todas as lojas para
ratificar a nomeação do Duque de Chartres como Grão-Mestre.
Ao mesmo tempo (1774), o Grande Oriente instalava-se no antigo noviciado dos
Jesuítas, à rua do Pot-de-Fer, procedendo à expulsão das ovelhas sarnentas. Centro e
quatro lojas aderiram ao novo estado de coisas; mais tarde, 195 (1776); finalmente, em
1789 havia 629 lojas em atividade.
Mas um fato, em nossa opinião considerável, produziu-se em 1786. Os capítulos do
Tiro Templário tornaram-se oficialmente aliados ao Grande Oriente, chegando a fundirse
com ele. Vimos como os irmãos desse rito ajudaram na revolta de onde nasceu o
Grande Oriente. Passemos a resumir, agora, a história do Rito Templário.
A FRANCO-MAÇONARIA DESDE SUA CRIAÇÃO ATÉ 1789
A FRANCO-MAÇONARIA DESDE SUA CRIAÇÃO ATÉ 1789
2.1 – O GRANDE ORIENTE E SUAS ORIGENS
O Grande Oriente da França nasceu de uma insurreição de alguns de seus membros
contra as constituições e a hierarquia tradicionais da Franco-Maçonaria. Algumas linhas
de explicação são aqui necessárias.
A Franco-Maçonaria foi fundada na Inglaterra por homens que faziam parte de uma
das potentes fraternidades secretas do Ocidente: a Confraria dos Rosa-Cruzes. Esses
homens, sobretudo Ashmole, tiveram a idéia de criar um centro de propaganda onde
pudessem formar, sem que se soubesse abertamente, membros instruídos para a Rosa-
Cruz. Assim, as primeiras lojas maçônicas foram mistas e compostas por obreiros reais e
por obreiros da inteligência (livres maçons). Os primeiros trabalhos de Ashomole datam
de 1646; mas foi somente em 1717 que a Grande Loja de Londres foi constituída. Foi
essa Loja quem forneceu as cartas regulares às Lojas francesas de Dunkerque (1721),
Paris (1725), Bordeaux (1732) etc...
As lojas de Paris multiplicaram-se rapidamente, nomearam um Grão-Mestre para a
França, o Duque D’Antin (1738 a 1743), sob influência do qual foi idealizada e
publicada a Enciclopédia, como veremos adiante. Eis a origem real da revolução
realizada inicialmente no plano intelectual, passando após ao plano formal.
Em 1743, o Conde de Clermont sucedeu ao Duque d’Antin como Grão-Mestre e
tomou a direção da Grande Loja Inglesa da França. Esse conde de Clermont, muito
negligente para ocupar-se seriamente dessa sociedade, nomeou substituto um mestre de
dança, Lacorne, indivíduo intrigante e de costumes deploráveis. Esse Lacorne fez entrar
nas lojas grande quantidade de indivíduos de sua espécie, o que originou a cisão entre a
loja constituída por Lacorne (Grande Loja Lacorne) e os antigos membros que
formavam a Grande Loja da França (1756).
Após uma tentativa de reconciliação entre as duas facções rivais (1758), o escândalo
tornou-se tão grande que a polícia interveio e fechou as lojas de Paris.
Lacorne e seus adeptos aproveitando-se desse acontecimento, obtiveram o apoio do
Duque de Luxemburgo (15 de junho de 1761) (29). Fortes por esse apoio, conseguiram
entrar na Grande Loja de onde tinham sido banidos. Fizeram nomear uma comissão de
controle, cujos membros foram previamente comprados. Ao mesmo tempo, os irmãos do
Rito Templário (Conselho dos Imperadores) associaram-se em segredo às intrigas dos
comissários e, em 24 de dezembro de 1772, um verdadeiro golpe de estado maçônico foi
dado pela supressão da inamovibilidade dos presidentes das Lojas e pelo
estabelecimento do regime representativo. Revoltados vitoriosos fundaram, desse modo,
o Grande Oriente da França. Um maçon contemporâneo pode escrever: “Não é demais
dizer que a revolução maçônica de 1773 foi a precursora e o estopim da Revolução de
1789” (30)
O que se faz necessário enfatizar é a ação secreta dos irmãos do Rito Templário.
Foram eles os verdadeiros fomentadores das revoluções; os demais não passaram de
dóceis agentes. Assim, o leitor poderá compreender nossa afirmação: O Grande Oriente
nasceu de uma insurreição. Retornemos sobre dois pontos: a) A Enciclopédia
(Revolução Intelectual); b) A História do Grande Oriente de 1773 a 1789.
2.1 – O GRANDE ORIENTE E SUAS ORIGENS
O Grande Oriente da França nasceu de uma insurreição de alguns de seus membros
contra as constituições e a hierarquia tradicionais da Franco-Maçonaria. Algumas linhas
de explicação são aqui necessárias.
A Franco-Maçonaria foi fundada na Inglaterra por homens que faziam parte de uma
das potentes fraternidades secretas do Ocidente: a Confraria dos Rosa-Cruzes. Esses
homens, sobretudo Ashmole, tiveram a idéia de criar um centro de propaganda onde
pudessem formar, sem que se soubesse abertamente, membros instruídos para a Rosa-
Cruz. Assim, as primeiras lojas maçônicas foram mistas e compostas por obreiros reais e
por obreiros da inteligência (livres maçons). Os primeiros trabalhos de Ashomole datam
de 1646; mas foi somente em 1717 que a Grande Loja de Londres foi constituída. Foi
essa Loja quem forneceu as cartas regulares às Lojas francesas de Dunkerque (1721),
Paris (1725), Bordeaux (1732) etc...
As lojas de Paris multiplicaram-se rapidamente, nomearam um Grão-Mestre para a
França, o Duque D’Antin (1738 a 1743), sob influência do qual foi idealizada e
publicada a Enciclopédia, como veremos adiante. Eis a origem real da revolução
realizada inicialmente no plano intelectual, passando após ao plano formal.
Em 1743, o Conde de Clermont sucedeu ao Duque d’Antin como Grão-Mestre e
tomou a direção da Grande Loja Inglesa da França. Esse conde de Clermont, muito
negligente para ocupar-se seriamente dessa sociedade, nomeou substituto um mestre de
dança, Lacorne, indivíduo intrigante e de costumes deploráveis. Esse Lacorne fez entrar
nas lojas grande quantidade de indivíduos de sua espécie, o que originou a cisão entre a
loja constituída por Lacorne (Grande Loja Lacorne) e os antigos membros que
formavam a Grande Loja da França (1756).
Após uma tentativa de reconciliação entre as duas facções rivais (1758), o escândalo
tornou-se tão grande que a polícia interveio e fechou as lojas de Paris.
Lacorne e seus adeptos aproveitando-se desse acontecimento, obtiveram o apoio do
Duque de Luxemburgo (15 de junho de 1761) (29). Fortes por esse apoio, conseguiram
entrar na Grande Loja de onde tinham sido banidos. Fizeram nomear uma comissão de
controle, cujos membros foram previamente comprados. Ao mesmo tempo, os irmãos do
Rito Templário (Conselho dos Imperadores) associaram-se em segredo às intrigas dos
comissários e, em 24 de dezembro de 1772, um verdadeiro golpe de estado maçônico foi
dado pela supressão da inamovibilidade dos presidentes das Lojas e pelo
estabelecimento do regime representativo. Revoltados vitoriosos fundaram, desse modo,
o Grande Oriente da França. Um maçon contemporâneo pode escrever: “Não é demais
dizer que a revolução maçônica de 1773 foi a precursora e o estopim da Revolução de
1789” (30)
O que se faz necessário enfatizar é a ação secreta dos irmãos do Rito Templário.
Foram eles os verdadeiros fomentadores das revoluções; os demais não passaram de
dóceis agentes. Assim, o leitor poderá compreender nossa afirmação: O Grande Oriente
nasceu de uma insurreição. Retornemos sobre dois pontos: a) A Enciclopédia
(Revolução Intelectual); b) A História do Grande Oriente de 1773 a 1789.
MARTINISMO E FRANCO-MAÇONARIA
MARTINISMO E FRANCO-MAÇONARIA
Os escritores que se ocuparam do Martinismo, sobre tudo os clérigos, confundiram
muitas vezes com uma má fé voluntária o Martinismo com a Franco-Maçonaria. O
Martinismo, não exigindo nenhum juramento de obediência passiva de seus membros e
não lhes impondo nenhum dogma (muito menos o dogma materialista ou clerical) deixalhes
inteiramente livres em suas ações; ele é independente da Franco-Maçonaria como
ordem, tal como é praticada atualmente na França.
Como toda a ordem de iluminados, o Martinismo dá acesso, em algumas reuniões, a
Franco-Maçons instruídos (sobretudo a membros do Rito Escocês) quando possuem
pelo menos o grau 18 (Rosa-Cruz); mas essas relações limitam-se a uma simples
questão de delicadeza. Os Martinistas contemporâneos não agem de maneira diversa nas
mesmas circunstâncias, como agiram seus antepassados dos Conventos de Gaules e de
Wilhemsbadt.
Portando o nome cabalístico do Cristo e o reconhecimento do Verbo Criador na
mente, em todos os seus atos, o Martinismo só pode manter relações com potências
maçônicas que trabalhem segundo a constituição dos Rosa-Cruzes Iluminados, que
fundaram a Franco-Maçonaria. Todo rito que subtrai Deus de suas pranchas e
transforma, sem referências tradicionais, o simbolismo que lhe confiaram, não existe
mais para os Martinistas, assim como também para todos os iniciados de um centro real
e sério.
Eis porque o Grande Oriente da França, que está distanciado da verdadeira e
universal Franco-Maçonaria, não deve ser confundido com o Martinismo, como os
clérigos procuram fazer. Isso nos induz a expor a situação atual dos diferentes ritos da
Franco-Maçonaria francesa, traçando sua história.
A Franco-Maçonaria compreende, na França, três Ritos:
1º – O Grande Oriente da França, o mais potente, na França, pelo número de lojas
e de membros, rito materialista e ateu pelo espírito e pela ação, causa real da decadência
momentânea de nosso País;
2º – O Rito Escocês, dividido em duas seções:
a) O Supremo Conselho e suas Lojas, que admite os Altos Graus Maçônicos;
b) A Grande Loja Simbólica Escocesa, Federação de Antigas Lojas Escocesas, que
não admite Altos Graus.
Em 1897, um acordo estabelecido entre essas duas seções deu nascimento à Grande
Loja da França. Caráter desse rito: espiritualismo eclético. É por este rito que a França
liga-se aos ritos de outros países.
3º – O Rito de Misraim, decadente, caiu no ridículo por não ter nem vinte membros
para constituir suas lojas, seu capítulo e seu areópago.
Os escritores que se ocuparam do Martinismo, sobre tudo os clérigos, confundiram
muitas vezes com uma má fé voluntária o Martinismo com a Franco-Maçonaria. O
Martinismo, não exigindo nenhum juramento de obediência passiva de seus membros e
não lhes impondo nenhum dogma (muito menos o dogma materialista ou clerical) deixalhes
inteiramente livres em suas ações; ele é independente da Franco-Maçonaria como
ordem, tal como é praticada atualmente na França.
Como toda a ordem de iluminados, o Martinismo dá acesso, em algumas reuniões, a
Franco-Maçons instruídos (sobretudo a membros do Rito Escocês) quando possuem
pelo menos o grau 18 (Rosa-Cruz); mas essas relações limitam-se a uma simples
questão de delicadeza. Os Martinistas contemporâneos não agem de maneira diversa nas
mesmas circunstâncias, como agiram seus antepassados dos Conventos de Gaules e de
Wilhemsbadt.
Portando o nome cabalístico do Cristo e o reconhecimento do Verbo Criador na
mente, em todos os seus atos, o Martinismo só pode manter relações com potências
maçônicas que trabalhem segundo a constituição dos Rosa-Cruzes Iluminados, que
fundaram a Franco-Maçonaria. Todo rito que subtrai Deus de suas pranchas e
transforma, sem referências tradicionais, o simbolismo que lhe confiaram, não existe
mais para os Martinistas, assim como também para todos os iniciados de um centro real
e sério.
Eis porque o Grande Oriente da França, que está distanciado da verdadeira e
universal Franco-Maçonaria, não deve ser confundido com o Martinismo, como os
clérigos procuram fazer. Isso nos induz a expor a situação atual dos diferentes ritos da
Franco-Maçonaria francesa, traçando sua história.
A Franco-Maçonaria compreende, na França, três Ritos:
1º – O Grande Oriente da França, o mais potente, na França, pelo número de lojas
e de membros, rito materialista e ateu pelo espírito e pela ação, causa real da decadência
momentânea de nosso País;
2º – O Rito Escocês, dividido em duas seções:
a) O Supremo Conselho e suas Lojas, que admite os Altos Graus Maçônicos;
b) A Grande Loja Simbólica Escocesa, Federação de Antigas Lojas Escocesas, que
não admite Altos Graus.
Em 1897, um acordo estabelecido entre essas duas seções deu nascimento à Grande
Loja da França. Caráter desse rito: espiritualismo eclético. É por este rito que a França
liga-se aos ritos de outros países.
3º – O Rito de Misraim, decadente, caiu no ridículo por não ter nem vinte membros
para constituir suas lojas, seu capítulo e seu areópago.
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