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segunda-feira, 4 de maio de 2015

História do Rito Adonhiramita no Brasil [Domingos Fernandes Dias]



História do Rito Adonhiramita no Brasil
Pediram-me para falar da Maçonaria Adonhiramita, e quero começar conscientizando aos meus Amados Irmãos que não vou fazê-lo de forma satisfatória, por que não poderei apresentar ou me reportar a certidão de nascimento de Rito, com local, data e hora e quem foram seus pais. Mas os Amados Irmãos já devem estar acostumados a esse tipo de problema, pelos seus estudos e pesquisas sobre a origem da Maçonaria, em que são apresentadas teses que vão desde Adão e Eva, Noé, Enoc, Hermes, Eleusis, Orfeu, Essênios, Salomão, Pitágoras, Numa Pompilio, Pedro o Eremita, Templários, Guildas Operativas e tantas outras, passando de setenta o seu número. Logicamente, não se titulavam Maçons os seus membros e sim iniciados, pois a 1ª referência conhecida, de forma documental do título de Maçom, aparece numa Lei de Controle de Salário em 1249, na Inglaterra, após a Peste Negra que dizimou mais da metade da população, sendo citadas diversas profissões, inclusive a de Maçons. Assim, temos iniciados nos Pequenos Mistérios e Grandes Mistérios, que conforme os líderes destacados da época e da Região davam os nomes das Escolas. Já ouvimos falar dos Iniciados Essênios, Arquitetos Dionisíacos, Orfeu, Bacantes, etc... A primeira citação ligada a Maçonaria aparece em 1385 na Revolução dos Camponeses na Inglaterra, sendo citada como Grande Sociedade, fazendo ligações a organização e comunicação da Ordem Templária, que havia sido extinta setenta anos antes. Na Inglaterra e na Escócia, (Irlanda) vamos encontrar, portanto os principais marcos da Maçonaria de forma documental, até porque foi o primeiro país a romper com o jugo do clero, criando a Igreja Anglicana e assim atenuando de certa forma as perseguições da Inquisição que durou no mundo de 1163, instituído no Concílio de Tours pelo Papa Alexandre III, reforçado pelo Papa Inocente IV, em 1542, quando autoriza oficialmente as torturas físicas como parte dos processos, e que só foi abolida em 1834 efetivamente, mas oficialmente ela só se extinguiu em 1965, pelo Papa Paulo VI. 
Na Inglaterra, quando da transformação da Maçonaria Operativa para Especulativa em 1717 com a reunião das quatro lojas, já conhecidas “A da Cervejaria do Ganso e da Grelha, relativa a Igreja de São Paulo”; “A da Cervejaria da Coroa, em Parker Lane, próximo a Drury Lane”; “A da Taberna da Macieira, em Charles Street, em Couvent Garden”; “A da Taberna e das Uvas, em Channel Row, em Westminster”, o Grão-Mestre George Payne criou uma comissão para juntar todas “Olds Charged”, presidida pelo Reverendo James Anderson, que em 1723 publicou a Constituição Maçônica, que hoje conhecemos por “Constituição de Anderson”. Vejam uma Comissão é incumbida para sequenciar todas as “Antigas Ordenações”, portanto já existentes, e dar uma forma jurídica concatenada, aos diversos escritos que norteavam todas as lojas Operativas, até então autônomas. E o que fazem? Alteram algumas formas da ritualística praticada pelos Maçons Operativos. Queimam papeis de “Antigas Ordenações”, que poderiam depor contra a “ordenação” que estavam sequenciando e estabelecem os alicerces do que hoje conhecemos como Maçonaria Especulativa. E a Constituição de Anderson, ficou conhecida, induzindo numa 1ª leitura, que ele fosse o seu criador, e não mero coordenador. A mesma problemática vamos encontrar em relação a “Maçonaria Adonhiramita”. “A Coleção Preciosa da Maçonaria Adonhiramita” esta para Luiz Guilherme de San Victor como Anderson para a Constituição. Todos sabemos que o Barão Theodoro de TSCHOUDY, foi o reformulador do Rito Adonhiramita, que já existia anterior a 1616 com 7 Graus, como o afirma o Ilustre escritor Maçons Escocês, Oscar Argollo, no início do Século XX em sua Obra “O Segredo da Maçonaria”, que estou distribuindo aos AAm.’.IIr.’., para posterior leitura. Ele cita que em 1248 a Catedral de Colônia foi construída, pelos Operativos, e a esse tempo o ritual conhecido era usado o do Egito e portanto o primitivo Adonhiramita. Ainda, em relação à origem do Rito Adonhiramita gostaria de citar o enfoque do nosso grande Secretário Adjunto de Orientação Ritualística do GOB, o nosso Am∴ Ir∴ Ademir Soares da Costa no Seminário no Rio de Janeiro do G∴O∴E∴R∴J∴, que coloca a publicação do Abade LUIZ TRAVENOL – com o nome LEONARDO GABANON – “CATHECISM DE FRAN-MAÇON”, ou de Secret de Franc-Maçon em 1744 – 1ª Edição – questionando se o Arquiteto do Templo é Hiram ou Adonhiram. Provando de forma documental, esta publicação, que havendo questionamento em Livro, o Rito já existia antes. E considerando que o Barão de TSCHOUDY nasceu em 1724 ou 1730, portanto teria apenas 14 ou 20 anos, não foi o seu criador, menos ainda Louis Guilheman de San Victor, que era mais novo. Podemos então admiti-los, apenas como reformadores. Vamos a essa história: Ela começa, como foi citado anteriormente em 1717 com a criação da Grande Loja da Inglaterra, e as introduções Ritualísticas feitas pela comissão, alterando o Ritual dos Operativos. A grande revolução, era que as quatro Lojas se reuniram para dizer, “que de hoje em diante não seremos mais operativos e abrigaremos qualquer um proposto, que seja aprovado e passe pela iniciação. “Só que as mudanças, as retiradas e inclusões, não agradaram as lojas autônomas, que protestaram e em 1733 formaram outra potência, a Grande Loja do regime Escocês Antigo, chamando a outra Grande Loja de Modernos, pelas modificações”. Mais tarde, resolveram fazer a unificação e criaram em 1758 uma comissão para normalizar a ritualística, que só se completou em 1813, quase 50 anos depois, dando origem com a fusão, a Grande Loja Unida da Inglaterra. É fácil imaginar que os modos diferentes de cada loja trabalharem, criou escolas. E adicionando, retirando ou fundindo, vamos encontrar cada loja trabalhando de uma maneira ritualística diferente, ganhando o nome da Loja que copiava. Assim temos o Rito ou Ordem de Heredon, (Kilwinning) em 1758 na criação do Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente, que tentando encontrar uma solução para a multiplicidade de formas ritualísticas, criam comissões, que apresentaram as conclusões que geraram o RITO DA PERFEIÇÃO ou ESCOCÊS com 25 Graus (5 energias solares x 5 pontos da perfeição), que mais tarde em 1801 acrescido de mais 8 Graus tornou-se o Rito Escocês Antigo e Aceito de 33 Graus. O RITO DE NAMUR com 33 Graus (reportando-se as 33 vértebras a subir), que não vingou. O RITO MODERNO ou Francês com 7 Graus (os 7 Chakras principais), pararece até brincadeira que logo o Rito Moderno estudaria os Chakras. O RITO ADONHIRAMITA com 12 Graus e sua correlação com o Zodíaco e que mais tarde com as publicações de Louis Guilleman de San Victor de uma tradução dos Cavaleiros Noaquitas que fizera do Alemão, passa a ser o 13º Grau. TSCHOUDY não aceitando a fórmula HIRAM prevalecente, sai do Capítulo e em 1762 forma “O Conselho do Imperador do Oriente” que tem como presidente Pirlet, que o incube de redigir os rituais do Capítulo, que ele ordena em 15 Graus e cria o Rito do Cavaleiro de Santo André, síntese filosófica, que solicita que jamais seja publicado, ficando como Arcano do Capítulo. Após a sua morte em 28 de maio de 1769, o Capítulo desrespeitando o seu pedido, faz a publicação do Santo André com diversos rituais que ele reformulara em Comissão, entre eles o Kadosch, que só foi aceito na hierarquia Maçônica, depois da sua reformulação, ganhando o Grau 30 do Escocês Antigo e Aceito, ficando Santo André no Grau 29. 
Essa reforma se expande pela Europa e através de Portugal a Maçonaria Adonhiramita chega ao Brasil de forma regular em 15 de novembro de 1815, com a fundação da Loja Comércio e Artes, que passou a congregar as mais fortes lideranças políticas da época, sob os auspícios do Grande Oriente Lusitano. Em 30/03/1818, D. João VI, em consequência da solicitação feita pelos cinco Regentes do reino de Portugal, decreta o fechamento das Lojas Maçônicas no Brasil e Portugal devido ao envolvimento delas na Revolução Pernambucana de 1817 e do Grão-Mestre de Portugal Gomes Freire na Revolução Portuguesa. A Família Real retorna a Portugal em 1821 e a Loja Comércio e Artes “da Idade do Ouro” se reinstala no Rito Adonhiramita, conforme Ata de 2 julho de 1821. Ficou deliberado nesta data, o seu desdobramento com a finalidade de fundar e instalar as Lojas Esperança de Niterói e União e Tranquilidade, compondo dessa maneira o tripé inicial, sobre o qual se estalaria em 17 de junho de 1822 o Grande Oriente Brasílico. Os quadros das Lojas são formados por sorteios entre os membros da Loja mãe Comércio e Arte. É importante que se esclareça aqui, que as três Lojas reunidas como Grande Oriente, após fundação, resolveram colocar na Constituição do grande Oriente Brasílico o Rito Moderno para facilitar o reconhecimento da Inglaterra, desvinculando-se, assim do Grande Oriente de Portugal, Brasil e Algarves, mas trabalhando no Rito Adonhiramita até o seu fechamento em 21 de outubro de 1821, por ordem do Grão Mestre Pedro I, e depois em 25 de outubro de 1821 como Imperador do Brasil. 
Como podem ser confirmados lendo as Atas nº. 5 e nº 10 do GOB, quando essas três Lojas se reuniam como GOB, se auto-denominando de “Grande Loja”. Todos já conhecem as lutas políticas entre Gonçalves Ledo e José Bonifácio que resultaram no exílio de ambos. Mas a parte bonita dessa história é quando D. Pedro I chama José Bonifácio para ser o tutor dos seus quatro filhos, e o Grande Oriente do Brasil reabre em 23 de novembro de 1831, voltando a ter José Bonifácio com Grão-Mestre, trabalhando no Rito Moderno, e temos o discurso de posse, que ficou célebre, escrito por Gonçalves Ledo e lido integralmente por José Bonifácio, selando a superação de ambos pela espírito patriótico que os une fraternalmente novamente, mas, já tendo que administrar uma divisão Maçônica, pois fora criado em 24 de junho de 1831 o Grande Oriente Brasileiro do Passeio. Em 1832 é fundado o Supremo Conselho do Rito Escocês por Montezuma, passando a predominar na formação e transformação de Lojas. O Rito Adonhiramita sofreu certo abandonado no Grande Oriente do Brasil, durante esse período, só revitalizando-se em 1833, quando foi fundada a loja “Sabedoria e Beneficência”, de Niterói, que abateu colunas em 1850. em 1839, surgiu a 2ª Loja “Firmeza e União”, no mesmo ano em que o Grande Oriente do Brasil instituiu o Grande Colégio dos Ritos Azuis, incluindo, Adonhiramita. Em 1863 houve uma dissidência no Grande Oriente do Brasil liderada por Joaquim Saldanha Marinho, sendo criado o Grande Oriente do Vale dos Beneditinos, que deu grande importância ao Rito Adonhiramita, chegando a ter mais Lojas do Rito, que o Grande Oriente do Brasil – cinco contra três. Depois foi fundada em 1869 a Loja “Aliança”: e em 1872 a Loja Redempção, perfazendo um total de três Lojas, o que possibilitou a criação em 24 de abril de 1873, pelo Decreto nº 23 do Grande Oriente do Brasil, do “Grande Capítulo dos Cavaleiros Noachitas”. 
Em 1929 Mário Bhering, Grão-Mestre em exercício perde a eleição no Grande Oriente do Brasil e faz prevalecer a Orientação do Congresso de Lausane de 1875 que sugeria a separação dos Graus Filosóficos dos Simbólicos e funda a Grande Loja, levando Patente do Supremo Conselho de Montezuma consigo, deixando o Supremo Conselho do Grande Oriente do Brasil na irregularidade. Gostaria apenas de comentar, que as Lojas Simbólicas criadas por Mário Bhering, tornaram-se irregulares pela fórmula do próprio Congresso de Lausane, que não quer interferência do simbolismo no filosófico e vice-versa. Outro detalhe, é que o Rito Escocês desenvolvido na Grande Loja, recém criada por Mario Bhering, foi o retificado por TSCHOUDY e conhecido como Rito Escocês Retificado, com gravata branca, tendo duas grandes modificações HIRAM é o Mestre Arquiteto e o lado esquerdo é o 1º a ser trabalhado. 
Em 1951, o Grande Oriente do Brasil tornou-se Potência Simbólica, governando apenas os três primeiros Graus, deixando os Altos Graus para Obediências dos Ritos. O Grande Capítulo do Rito organizou e a partir de 1953 passou a denominar-se “Muito Poderoso e Sublime Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas para o Brasil”, e continuou fundando Lojas, que em dois ou três anos transformava-se em Escocês pela atração dos 33º. Então em 1973 ao fazer 100 anos da criação do grande Capítulo Noaquita pelo GOB, resolveram fazer uma grande modificação na estrutura administrativa e da graduação do Rito, já que o Rito ficara sendo apenas no Brasil. E em 2 de junho de 1973 o Sublime Grande Capítulo passou a se chamar “EXCELSO CONSELHO DA MAÇONARIA ADONHIRAMITA” e o Grande Inspetor AYLTON DE MENEZES assumiu o título de Grande Patriarca Regente e os altos graus foram aumentados de 13 para 33 como REAA, incorporando os rituais reformados por TSCHOUDY como o houvera feito o Rito Escocês. 
Neste momento, 1973, por outra cisão em eleição no GOB, surgiram os Grandes Orientes Independentes e há intervenção da Polícia Militar no Palácio Lavradio do Rio de Janeiro (o Poder Central – GOB – era no Palácio, que foi fechado). O Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita entra na Justiça como Pater-Família do Grande Oriente do Brasil, requerendo e obtendo o fiel depositário do Palácio, reabrindo suas atividades, sob a custódia dos AAm.’. IIr.’. Adonhiramitas que em escala se revezaram por quase um ano, 24 horas por dia, até a definição da Lide.
Quando da mudança da Maçonaria Adonhiramita do Grande Oriente do Brasil, de 13 Graus para 33 Graus, existiam em funcionamento, 33 Lojas em 02.06.1973. Hoje, 30 anos após, temos 221 Lojas, um aumento de 188 Lojas, ratificando o acerto da decisão. 
Finalmente o EXCELSO CONSELHO DA MAÇONARIA ADONHIRAMITA DECLARA E PROCLAMA não há Rito melhor nem pior, que o outro, apenas metodologias diferentes que visa o mesmo fim, que é a melhoria do Homem, mostrando o caminho para iluminação e consequentemente a melhoria da Humanidade. Nós Adonhiramitas começamos trabalhando o lado direito Grau 1, enquanto os Escoceses trabalham primeiro o lado esquerdo. Depois o Adonhiramita trabalha o esquerdo Grau 2 e os Escoceses trabalham o direito, mais ao final os dois trabalham o meio. Maçonaria é Amor e toda Filosofia Maçônica nos indica o cultivo das virtudes, que é o grande caminho a ser trilhado e a Maçonaria Adonhiramita nos obriga no tratamento de AAm. IIr. a repetição didática dessa energia, que impregnado nosso inconsciente, encha cada célula do nosso bilionário ser, para que elas a possam vibrar e espargir Amor a todo o semelhante. 
Domingos Fernandes Dias
MI 98194
Revisao: Wagner Veneziani

quarta-feira, 7 de maio de 2014

O Rito Adonhiramita


  • Rito Maçônico é um conjunto de regras, ditames e orientações litúrgicas que mistificam os trabalhos maçônicos e lhes dão forma e elegância e cada Rito tem suas peculiaridades que o diferenciam e o identificam, sem se contrapor aos princípios maçônicos universais. Vários são os Ritos existentes na Maçonaria Universal, que se diferenciam pela maneira como organizam e empregam as normas litúrgicas nos trabalhos maçônicos. No Brasil, sete Ritos são os reconhecidos e praticados pelo G.´. O.´. B.´. o Adonhiramita, o Escocês Antigo e Aceito, Francês ou Moderno, Emulação ou York, Schröder , Brasileiro e o Escocês Retificado.Os Ritos atuais são frutos da evolução e do aperfeiçoamento de alguns Ritos praticados pela Maçonaria Operativa, desde a idade Média, particularmente dos Ritos de Kilwinning, de York, de Clermont e sobretudo o de Heredon também conhecido como Monte Místico de onde se origina o Rito Adonhiramita. Em 1758, como fruto de estudos aprofundados sobre os ritos de Kilwinning, Clermont e, sobretudo, o de Heredon, o Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente decidiu promover grande reforma ritualística, principalmente no que respeitava ao rito de Heredon. No mesmo ano da reforma e nos que a ela se seguiram surgiram vários Ritos. Desta forma, em 1758, surgiu o Rito Escocês Primitivo ou Rito de Heredon ou de Perfeição, com 25 graus, que em 1786 forneceu as bases definitivas do atual Rito Escocês Antigo e Aceito e ensejou o nascimento do Rito Moderno ou Francês; em 1769, o rito Escocês Primitivo de Narbona, com 10 graus; e, posteriormente, o Rito Escocês Primitivo de Namur, com 33 graus. Uma das tarefas mais difíceis, trabalhosas e ingratas, no estudo da Ordem Maçônica, é sem dúvida a história do Rito Adonhiramita. Levantá-la com precisão é tarefa penosa, que até hoje desafia os pesquisadores e estudiosos. O primeiro problema a enfrentar está na autoria do Rito, sobre a qual os historiadores maçons não se põem de acordo. A maioria atribui sua criação ao Barão de Tschoudy, nobre francês com dotes de literato e escritor, nascido em Metz, em 1730 e falecido em Paris a 28 de maio de 1769. Com, a afirmação, lida em muitas obras maçônicas, de que Tschoudy "criou o Rito em 1787”, está lançado o primeiro problema: como poderia ele ter criado o Rito nesse ano, se falecera 18 anos antes? Outros autores afirmam que a criação do Rito se deu em 1744, o que implica em novo problema: nesse ano o Barão de Tschoudy contava apenas 14 anos, não tendo, pois, condições de ser maçom. Há, ainda, quem atribua a criação do Rito a Guillemain de Saint-Victor, a quem se atribui a obra “Recueil précieux de la Maçonnerie Adonhiramite" (Dados preciosos da Maçonaria Adonhiramita) obra essa que também é atribuída a Tschoudy. Acontece, porém, que os RRit.ʹ. não eram impressos naquela época, e quando isso acontecia era muito raro, apenas o Ven.ʹ.da Loj.ʹ.(cargo então vitalício) possuía apontamentos, quando os possuía! O aprendizado e a prática se faziam de forma oral, com cada Ir.ʹ. decorando sua parte, situação que, por certo, levava a constantes modificações e distorções. O que parece ser mais aceito entre os estudiosos dá conta sobre o mais antigo documento conhecido referindo-se ao mestre arquiteto do Templo sob a denominação de Adonhiram é o Cathécisme des Francs Maçons ou Le Secret des Francs Maçons (Catecismo dos Franco-Maçons ou O Segredo dos Franco-Maçons), editado em 1744, de autoria, possivelmente, um abade, cujo nome seria Leonardo Gabanon. Em 1730, nasceu Théodore de Tschoudy, considerado o organizador da segunda parte da obra Recueil Précieus de la Franc-maçonnerie Adonhiramite (Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita), cuja primeira edição ocorreu em 1787. O Barão Tschoudy foi membro do parlamento de sua cidade natal, Metz, era integrante do Conselho de Imperadores do Oriente e do Ocidente (Um Capítulo que funcionava em Paris e reunia os mais ilustres estudiosos da Maçonaria de então). Maçom entusiasta e estudioso, Tschoudy utilizou seu aguçado espírito crítico para bater-se contra a proliferação desordenada dos altos graus do Rito de Heredom, do qual derivariam alguns dos ritos atuais, como o escocês, o moderno e o Adonhiramita. Inicialmente, Tschoudy se propôs a reformar os graus então existentes, reduzindo-os a quinze e depurando-os de tudo o que não fosse fiel à tradição maçônica tendo como base os Monumentos Egípcios, o Templo do Salomão e o Rito de Heredon. Em 1766, Tschoudy publicou L'Étoile Flamboyante ou La Société des Francs-Maçons (A Estrela Flamígera ou A Sociedade dos Franco-Maçons), obra em que descreve a fundação de uma nova Ordem ou novo rito de altos graus, a Ordem da Estrela Flamígera , com três graus: Cavaleiro de Santo André, Cavaleiro da Palestina e Filósofo Desconhecido,cujos rituais ,por ele compostos,tinham por fundo a lenda das cruzadas. Após desavenças e descontentamentos deixou a Ordem da Estrela Flamígera e então se dedicou até sua morte ao já citado “Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita". Sendo o Rito Adonhiramita derivado diretamente do Rito de Heredon, abrangia, até 1873, 12 graus: sendo 3 simbólicos e 9 filosóficos, coroados com o de Cavaleiro Noaquita. Em 2 de junho de 1973, o Rito passou a compor-se de 33 graus e sua Oficina-Chefe denominou-se EXCELSO CONSELHO DA MAÇONARIA ADONHIRAMITA. A Maçonaria Adonhiramita foi praticado na França e em Portugal, difundindo-se nas colônias e sendo o preferido da armada napoleônica. Com a difusão do Rito Francês ou Moderno, o Rito Adonhiramita começou a ser abandonado, restringindo a sua prática ao Brasil, onde se encontra a sua Oficina Chefe.
  • A contribuição do Rito Adonhiramita na criação do G.ʹ.O.ʹ.B.ʹ.
  • Em 15 de novembro de 1815, sob os auspícios do Rito Adonhiramita, fundou-se a Loja Comércio e Artes, no Rio de Janeiro, que passou a congregar as lideranças políticas de então. Em 2 de julho de 1821, esta Loja se instalou definitivamente e, neste mesmo dia, ficou deliberado o seu desdobramento para fundar e instalar as Lojas "Esperança de Niterói" e "União e Tranquilidade", compondo assim, o Tripé sobre o qual se instalaria o Grande Oriente Brasiliano (também dito Grande Oriente Brasílico), depois Grande Oriente do Brasil, sendo todas estas Lojas praticantes do Rito Adonhiramita, o único existente no Brasil até 1822.

Fonte- http://www.adonhiramita.org

A Liturgia Adonhiramita


  • Peculiaridades do Rito Adonhiramita
  • Algumas das principais peculiaridades do Rito Adonhiramita que o identificam e o diferenciam dos demais Ritos são: A sua tradição e fidelidade aos antigos mistérios; A sua profunda espiritualidade;O tratamento de "Am.ʹ. Ir.ʹ.” ; O uso do nome histórico; Adonhiram como personagem central; O Cerimonial do Fogo; O uso de velas e não de lâmpadas; O pé direito à frente na marcha do Grau; As doze badaladas; O revigoramento e o adormecimento da Chama Sagrada; O uso das luvas brancas; O uso da gravata branca; A posição dos AAm.ʹ. lIr.ʹ. VVig.ʹ.; A posição das CCol.ʹ. J e B; A abertura do L.ʹ. da L.ʹ. no evangelho de João; A formação do Pálio; A Cerimônia de Incensação; A proteção mística do Am.ʹ. Ir.ʹ. Cobr.ʹ. Int.ʹ.;O uso do sinal do G.ʹ. na circunavegação; A circunavegação em forma do símbolo do infinito; O uso do chapéu em todas as sessões pelos MMestr.ʹ.; O uso da espada pelos MMestr.ʹ., a palavra de Aclamação , além de muitas outras particularidades que fazem o Rito Adonhiramita singular, místico e esotérico.
  • Fundamentos e tradições do Rito Adonhiramita
  • Este Rito é histórico e tradicional, um Rito característico e essencialmente metafísico, esotérico e místico. Constitui um drama psicológico organizado para produzir experiências transcendentais nos participantes e, ao se tornar esotérico no exercício do magistério de sua Liturgia, de um modo geral, induz a mente objetiva a certo grau de relaxamento, o que permite a imersão do subconsciente, resultando em um estado de harmonia e bem estar, tornando-o um Rito de profunda espiritualidade. Têm por base teológica os mistérios egípcios, a volta dos judeus do cativeiro e as verdades bíblicas reveladas no Antigo e Novo Testamento, particularmente, no que concerne à construção do Templo de Salomão e às origens do Cristianismo, com atenção especial voltada para os aspectos proféticos e apocalípticos de ambos os documentos sagrados. Podemos constatar esta profunda espiritualidade ainda no Átrio, quando da entrada ao Temp.´., no momento em que o Am.ʹ. Ir.ʹ. M.ʹ. de CCer.ʹ. diz: "... Silêncio meus AAm.ʹ. llr.ʹ.! Eu vos peço um momento de reflexão a fim de ingressarmos no Templ.ʹ.. Neste momento observa-se uma viagem interior, o V.I.T.R.I.O.L. cuja tradução é: "Visita o interior da Terra e, retificando-se, encontrarás a Pedra Oculta". É uma viagem solitária e profunda, um resgate dos mais puros valores inerentes ao ser, à busca do universo interior, a busca do "conhece-te a ti mesmo". Uma viagem para a qual, as condições sociais profanas, a cor, a raça, os credos religiosos e políticos, assim como os metais que distinguem o rico do pobre, tornam-se fardos desnecessários e incômodos. Forma-se então, a Egrégora, uma reflexão agora coletiva elevada ao Supremo Criador dos Mundos, desejando a paz entre os homens, que todos possam se transformar em homens de boa vontade, que os desesperados encontrem a esperança e os tiranos possam encontrar o caminho da justiça.
  • O tratamento de "Am.ʹ.Ir.ʹ." e o uso do Nom.ʹ. Hist.ʹ. no Rito Adonhiramita
  • "Am.ʹ. Ir.ʹ. "era o tratamento usado entre os adeptos das comunidades religiosas mais antigas, para significar o apreço, o respeito e a confiança mútua entre esses adeptos. Era o tratamento escolhido pelos primitivos cristãos, até para se identificarem entre si; tratamento este que ainda hoje é empregado pelos pregadores cristãos, ao se dirigirem ao público dentro das Igrejas e Templos. Tratamento este que deverá ser conquistado pelos méritos maçônicos de cada Ir.ʹ..Sejam quais forem as relações que um maçom tiver com o outro é proibido usar de outra denominação que não seja a de Am.ʹ. Ir.ʹ., isto basta para o elogio na Maçonaria, porque este nome sagrado, encerra em si, todos os sentimentos bons de que o coração humano é capaz de vivenciar. O Nom.ʹ. Hist.ʹ. é de todo útil, no momento da iniciação e durante toda a vida maçônica, receber a guarda, a proteção e o exemplo de espíritos luminosos que, ricos de virtudes nesta vida, sobretudo como maçons, se comportam, de certo modo, como Anjos-da-guarda, mensageiros fiéis do G.ʹ.A.ʹ. D.ʹ. U.ʹ. Por isso, no Rito Adonhiramita, a cada Ir.ʹ., quando de sua iniciação, é atribuído o nome de um personagem virtuoso em prol da Humanidade, da Pátria, da Sociedade, etc., Maçom ou não, e que já tenha partido para o Oriente Eterno, para ser seu Patrono, absorvendo-lhe o nome a que denominamos "Nome Histórico". Com esse Nome Histórico, o Ir.ʹ. é batizado em momento próprio da Iniciação com os seguintes dizeres: "E para que de profano nem o vosso nome vos reste, eu vos batizo com o Nome Histórico de....” A prática tem grande valia para o sigilo e a preservação da identidade civil, ao mesmo tempo em que constitui um símbolo de profunda significação. Se a Maçonaria tem por objetivo transformar o homem profano no homem iniciado, o gesto de lhe dar um novo nome por ocasião da iniciação está a indicar que ele, dali em diante, deve se transformar num novo ser.
  • A denominação Adonhiramita
  • De acordo com a Bíblia, HIRAM era o arquiteto que se encarregara dos projetos da construção do Templo de Salomão, filho da viúva de NEFTALI. A seu lado havia outro HIRAM, o rei de Tiro, que fornecera a Salomão grande parte dos materiais utilizados na obra. Já ADONHIRAM, filho de Abda, era o funcionário encarregado dos tributos na corte de SALOMÃO, por este estar incumbido do recrutamento dos operários quando da construção do Templo. Como tal, vem designado no 1º Livro dos Reis, Cap. IV com o título de “preposto às corvéias”. ADONHIRAM era a pessoa que recrutava os operários, selecionava-os, dividia-os segundo suas capacidades ou necessidades da obra e, por certo, também lhes pagava o salário, até porque era o tesoureiro de SALOMÃO. Sendo assim para nós ADONHIRAMITAS é o personagem central da Construção do Templo de Salomão, Adonhiram (Hiram de Deus), conforme nos asseguram os versículos 6 do capítulo IV e 13 e 14 do capítulo V do 1°Reis no Antigo Testamento. Acreditamos que a verdadeira palavra é Adonhiram, ou Hiram composto do pré-nome Adon (dominus), que os hebreus usam frequentemente quando falam de Deus; este prenome agregado à palavra Hiram, faz-se Adonhiram, que significa Hiram, "O consagrado ao Senhor", "O bom Senhor” ou "O divino Hiram'', de onde foi derivado o título de Maçonaria Adonhiramita.
  • O Cerimonial do Fogo
  • Dos quatro elementos tradicionais: terra, água, ar e fogo, o fogo é tido como princípio ativo ou dinâmico, transformador, germe da geração, é o mais puro, animador e fonte energética. Simboliza a força impulsionadora do universo, além de movimento e energia. Seu movimento é para o alto, ascendente, e seu poder é de criação por transformação. O Cerimonial do Fogo alude a uma invocação ao Senhor de Todas as Luzes, ao G.ʹ.A.ʹ.D.ʹ.U.ʹ. cujos atributos infinitos estão novamente sintetizados nas três palavras pronunciadas, por cada uma das Luzes da Loj.ʹ. Ven.ʹ. Mestr.ʹ. - Sabedoria; 1° Vig.ʹ. - Força; e o 2° Vig.ʹ. - Beleza.
  • A razão de utilizar velas e não lâmpadas
  • As velas que usamos, sempre de cera pura de abelhas, como manda a tradição, emitem uma chama pura e sem fuligem, emitem fogo, o que não acontece com as lâmpadas elétricas. O fogo sempre acompanhou a humanidade desde os mais primitivos ancestrais, e nesta sua marcha através da história foi assumindo sempre mais o aspecto de ligação entre o homem e os espíritos, entre o homem e o G.ʹ.A.ʹ.D.ʹ.U.ʹ.. O fogo, desde que o homem começou a percebê-lo conscientemente como um dos elementos da natureza, foi sempre olhado como um elemento mágico e de origem divina, motivo pelo qual, seu simbolismo foi mantido em nossas cerimônias.
  • O pé direito à frente na marcha do Grau
  • Simbolicamente o lado direito é ativo, positivo, criativo, masculino e representa o poder de realização, enquanto o lado esquerdo é passivo, negativo, receptivo, feminino e representa a capacidade de modelação. Romper a marcha com o pé direito, representa que o nosso poder criativo, masculino, positivo, se sobrepõem aos nossos aspectos negativos que devem ser submetidos à nossa vontade e superados com a prática das virtudes. Em simbologia, o lado direito sempre esteve ligado ao poder da Luz, e o lado esquerdo ao poder das Trevas. Todavia, nada tem a ver com superstições, mas sim, posturas que guardam um sentido simbólico.
  • Doze badaladas
  • Antigamente, na Maçonaria, o sino era de uso comum nas Cerimônias das Lojas Simbólicas, a fim de anunciar a hora dos trabalhos. O Rito Adonhiramita, procurou coexistir com o seu uso, não perdendo a tradição dos antigos, assim como a tradição religiosa e os costumes iniciáticos dos mistérios. Em muitas civilizações antigas, o sino era utilizado no sentido de conclamar todos os seres humanos, e, também, os sobrenaturais, além de evocar as Divindades, se tornando daí, o símbolo do chamamento ao G.ʹ. A.ʹ. D.ʹ. U.ʹ.! Assim, juntamente com a Cerimônia de Incensação o Cerimonial do Fogo e as Doze Badaladas harmonizam as vibrações místicas e esotéricas da egrégora formada em sintonia com a Luz Maior emanada pelo Supremo Criador dos Mundos.
  • O revigoramento e o adormecimento da Chama Sagrada
  • O revigoramento e o adormecimento da Chama Sagrada simbolizam a ligação do antigo com o novo, a continuidade e a ligação com o G.ʹ.A.ʹ. D.ʹ.U.ʹ., em consciência compartilhada e identidade comum. Desde os antigos tempos a cultura da Chama Sagrada era tida como primordial e essencial para a busca e manutenção da harmonia e da paz, tanto para os lares, quanto, até mesmo, para as cidades da antiguidade.
  • O uso das luvas brancas
  • As luvas brancas representam a candura que reina na alma do homem de bem e a pureza de seus atos, de coração e intenções. Motivo pelo qual o Am.ʹ.Ir.ʹ.M.ʹ. de CCer.ʹ. antes da entrada ao Temp.ʹ., exclama: "... Meus AAm.ʹ. llr.ʹ., se desde a meia-noite, quando se encerraram nossos últimos trabalhos, se conservastes vossas mãos limpas, calçai as vossas luvas...". O calçar das luvas é para que as mãos de todos os obreiros fiquem iguais. Tornam as mãos calejadas do operário, tão macias quanto às mãos do intelectual, do médico, do engenheiro etc, assim como se igualam pelo uso uniforme das outras peças do vestuário. As luvas simbolizam a pureza que deve estar presente em todos os atos de um maçom. Pela mão direita se dá pela esquerda se recebe. Dá-se com pureza e recebe-se com pureza.
  • A gravata branca
  • A gravata branca, por sua cor, está associada à paz e guarda a sua origem na aristocracia francesa. Na prática, a gravata é uma peça da indumentária e de criação recente, inspirada nos cordéis utilizados para o fechamento das camisas antes da invenção dos botões, que terminava em um laço à altura do pescoço. Logo, a gravata é um complemento da camisa, e assim, parte integrante da mesma. Sendo a camisa branca, consideramos que a gravata também deve ser branca para se manter em harmonia interior.
  • Onde se colocam os VVig.ʹ. e porque desta posição?
  • No Oc.ʹ., para melhor observarem a passagem do Sol pelo meridiano. O Sol vem do Oriente, e, portanto, para observá-lo, os VVig.ʹ. devem, ambos, estarem postados numa mesma linha, de frente para o Oriente, o que só pode ocorrer se eles estiverem sobre o mesmo meridiano. Por isso, os dois VVig.ʹ. no Rito Adonhiramita se posicionam ao Ocidente, numa mesma linha, perpendicular à linha do Equador Or.ʹ. – Oc.ʹ. no mesmo meridiano.
  • Porque no Rito Adonhiramita, as CCol.ʹ. J e B ficam em posições invertidas em comparação com outros Ritos?
  • Os estudiosos do Rito afirmam que a posição das CCol.ʹ. J e B, e dos próprios VVig.ʹ., se deu quando das primeiras "revelações dos segredos da maçonaria", ou seja, em 1730, quando foi publicado na Inglaterra, o livro Maçonaria Dissecada, de autoria de Samuel Pritchard.Esta obra em questão foi o fruto da traição perpetrada pelo autor que a 13 de outubro de 1730, prestou depoimento juramentado perante um magistrado, no qual relatava detalhes de sua iniciação na Maçonaria, inclusive ao Grau de Mestre. O livro continha todos os sinais, toques e palavras utilizados à época, bem como citava HIRAM, as marchas e todo o acervo sigiloso. Esta traição obrigou a Ordem a processar algumas mudanças necessárias a confundir os curiosos profanos "bem informados", que se utilizando de tais informações demandavam a invadir as Lojas como se fossem verdadeiramente iniciados. Renomados autores veem nestas mudanças a origens das diferenças existentes entre o Rito Adonhiramita em relação aos demais Ritos no que se referem à posição das colunas, os respectivos vigilantes e todos os detalhes oriundos de suas posições. O Rito Adonhiramita permaneceu fiel às antigas tradições, adotando os antigos costumes. Motivo pelo qual, em comparação com alguns ritos, se constata que as CCol.ʹ. e algumas funções estão invertidas. Todavia, mesmo havendo, comparativamente, a inversão das CCol.ʹ., os AAm.ʹ. Ilr.´. AApr.ʹ. continuam na Col.ʹ., da Beleza, ou seja, na Col.ʹ. do 2° Vig.ʹ..
  • A abertura do L.ʹ. da L.ʹ. no Evangelho de João
  • O Evangelho de João é o mais profundo dos quatro Evangelhos, cuja terminologia significa "Boa Nova", e é o mais místico, o que mais causou polemica devido a sua linguagem e filosofia. Todas as correntes ortodoxas do cristianismo primitivo, destacando os antigos Gnósticos, se apoiavam nos escritos de João. A espiritualidade é tema fundamental para o Rito Adonhiramita, assim como a tradição, e por esta, registra-se que primitivamente todas as Lojas de origem Francesa abriam o L.ʹ. da L.ʹ. no Evangelho de João."Houve um homem enviado por Deus que se chamava João." Este João, é o Batista, ou seja, aquele que batizava, que iniciava aos antigos mistérios. Lembrando ainda, que no momento da abertura do L.ʹ. da L.ʹ. a leitura do texto sagrado e a colocação do esq.ʹ. e o comp.ʹ. na posição do grau, o Am.ʹ. Ir.ʹ. Orad.ʹ. está protegido pelo Pálio.
  • O Pálio
  • No Rito Adonhiramita, o Pálio, é formado, tal qual uma pirâmide, pelo Am.ʹ. Ir.ʹ. M.ʹ. de CCer.ʹ. juntamente com um M.ʹ. da Col.ʹ. do S.ʹ. e outro M.ʹ.da Col.ʹ. do N.ʹ.. Estes AAm.ʹ. llr.ʹ. o formarão postando suas espadas como extensão de seus braços direitos estendidos em ângulo de 52°, tocando-se e cruzando-se no alto sobre o Alt.ʹ. dos JJur.ʹ. e o Am.ʹ. Ir.ʹ. Orad.ʹ.. Estando na abertura, a espada do Am.ʹ. Ir.ʹ. M.ʹ. de CCer.ʹ. por baixo das demais, dando sustentação, e no encerramento, por cima das demais, sobrepondo-as. As espadas, como condutoras de energias em forma de pirâmide, voltadas para cima, estão absorvendo as energias do alto, protegendo a abertura do L.ʹ. da L.ʹ. pelo Oc.ʹ. pelo S.ʹ. e pelo N.ʹ. deixando livre apenas o lado do Or.ʹ. do qual se emanará a Luz e a onipresença do G .ʹ. A.ʹ. D.ʹ. U.ʹ..
  • A Cerimônia da Incensação
  • A Incensação tem origem nos mais remotos costumes religiosos da civilização humana. Esta cerimônia representa uma espécie de profilaxia ambiental, a Incensação deixa o ambiente físico do Templo impregnado do agradável odor da essência utilizada, tais como Benjoim, Mirra e Incenso entre outras. Por outro lado, a tradição nos informa que esta cerimônia afasta do meio místico e esotérico do Templo as sombras ou entidades maléficas, que por acaso, se disponham a perturbar as Luzes da Loja, e, consequentemente, os seus trabalhos. A incensação tem como valor simbólico a associação do homem à divindade, do finito ao infinito e do mortal ao imortal. Ao espargir a fumaça se está purificando o ambiente tanto no sentido físico por tratar-se de substância com propriedades anti-sépticas, como espiritual, pois o incenso tem a incumbência de elevar a prece para o céu. A incensação gera uma atmosfera de aroma agradável e magnetiza com fluidos benéficos os obreiros e o ambiente, contribuindo para a formação da egrégora e propiciando à reflexão. No ato da Incensação são invocadas as três palavras que sintetizam atributos do G.ʹ. A.ʹ.D.ʹ.U.ʹ. SABEDORIA, FORÇA e BELEZA. Por esses motivos, é que, ao nos incensarmos, nos limpamos nos purificamos a nós e ao ambiente, favorecendo a permanência da egrégora. Também, se torna necessário lembrar que durante a cerimônia da incensação, depois que o Am.ʹ. Ir.ʹ.M.ʹ. de CCer.ʹ. efetua a incensação do Templ.ʹ. e de todos os llr.ʹ. ele troca de lugar e função com o Am.ʹ. Ir.ʹ. Cobr.ʹ. e este, com a porta entre aberta, sem sair do Templ.ʹ. incensa o átrio. Esta tarefa de incensar o átrio somente pode ser executada pelo Am.ʹ. Ir.ʹ. Cobr.ʹ. porque ele é o único que está protegido e capacitado mística e esotericamente para se expor às energias que circulam fora do Templ.ʹ..Tanto é que o nosso próprio ritual aconselha que este cargo seja ocupado pelo ex-Ven.ʹ. Mestr.ʹ. mais recente, pois este, dentre todos, é quem possui os atributos místicos e esotéricos para suportar tais energias e impedir que as mesmas adentrem o interior do Templ.´..Por este motivo também, é que o Am.ʹ. Ir.ʹ. Cobr.ʹ. ocupa o seu lugar sobre a linha simbólica do equador, de frente para o Ven.ʹ. Mestr.ʹ. invertendo a polaridade das energias, ou seja, atraindo para si, todas as energias negativas que excedam o suportável pela Egrégora da Loja, como se fosse um para-raios.A própria troca de funções do Am.ʹ. Ir.ʹ. Cobr.ʹ. com o Am.ʹ. Ir.ʹ. Mest.ʹ. de CCer.ʹ. através do giro, é um ato personalíssimo do Rito Adonhiramita, pois ambos se interligam formando um X (xis) com as mãos, ou seja, mão direita com mão direita e mão esquerda com mão esquerda, doando e recebendo, ao mesmo tempo em que, girando, as energias e atributos são permutados qualificando um e outro para sequência cerimonial. Destrocando logo em seguida, na mesma forma.
  • A circunavegação
  • Realizamos a circunavegação com o Sin.ʹ. do Gr.ʹ. uma vez que não seria possível ao Obr.ʹ. caminhar com o Sin.ʹ. de Ord.ʹ. pois neste, o Obr.ʹ. necessita, além de estar com o Sin.ʹ. do Gr.ʹ. estar também com os pp.ʹ. em esq.ʹ. formando a tríp.ʹ. esq.ʹ. com o p.ʹ. dir.ʹ. voltado para a frente. Assim procedemos em respeito aos antigos costumes e desde que o Obr.ʹ. não esteja conduzindo material litúrgico, quando então fica dispensado do Sin.ʹ. do Gr.ʹ.. A circunavegação, é realizada em forma do símbolo matemático do infinito visto que este símbolo representa, esotericamente, a estrada do tempo e da continuidade da vida, pois todo começo contém em si o fim, e todo fim contém em si o começo. É o caminho do constante renascimento. E o Rito Adonhiramita, por sua profunda espiritualidade, filosofia mística e esotérica, concede ao seu adepto a possibilidade de caminhar nesta senda na busca do conhecimento, da evolução e aprimoramento espiritual.
  • MMestr.ʹ. usam chapéu em todos os Graus do Simbolismo
  • O uso do Chapéu na Maçonaria é bem antigo; estes, conforme nos narra a história, surgiram para substituir as antigas carapuças usadas na Idade Média. Os Chapéus foram primeiro usados pelos sumérios e os egípcios na Antiguidade e posteriormente pelos gregos que usavam um chapéu de palha de fundo pontudo que era denominado de "THOLIA", e só se tem conhecimento do seu uso na Europa após o século XVII. Na Maçonaria, o Chapéu passou a ser usado a partir do século XVIII como símbolo hierárquico e esotérico. A maçonaria ocidental é também chamada de maçonaria salomônica, devido ao fato da influência judaica ser indiscutível em sua base filosófica.Trazendo da influência cabalística, o uso do chapéu como forma de cobertura da primeira Sephirah da Árvore da Vida, como faz o povo semítico nas cerimônias de culto ao Deus Único. O chapéu assume assim dois significados. O primeiro, de origem cavalheiresca, advém da tradição que remonta ao início do século XVIII da qual somente os pertencentes da aristocracia tinham o direito de usar chapéus, sendo a princípio tolerado como uma regalia. O segundo, de caráter esotérico, simboliza que apesar da eterna busca da verdade, a inteligência humana reconhece seus limites ante o grande mistério da criação, motivo pelo qual devemos nos descobrir quando seja feita menção ao G.ʹ. A.ʹ. D.ʹ.U.ʹ..
  • MMestr.ʹ. usam espada em todos os Graus do Simbolismo
  • O uso da espada é símbolo de autoridade de uma casta distinta e considerada nobre em todas as sociedades antigas, os guerreiros. Quando o Rito de Heredon, fonte de origem do Rito Adonhiramita, Escocês Antigo e Aceito e o Moderno, foi introduzido na França, era praticado quase que exclusivamente por membros da aristocracia, pessoas que possuíam o direito do uso da espada, símbolo naquela época, de condição social elevada. Dos Ritos que tiveram origem no Rito de Heredon, somente o Adonhiramita permaneceu fiel à tradição dos MMestr.ʹ. usarem a espada e o chapéu em todos os graus do simbolismo. Devemos esclarecer também que, muito embora o uso das espadas tenha se originado na aristocracia francesa, não é por este motivo que o Rito Adonhiramita a mantém em suas cerimônias. Tão pouco tem ligação a ser guerreiro ou militar! Seu uso no Rito Adonhiramita se dá exclusivamente ao misticismo e esoterismo relacionados aos efeitos geomagnéticos, uma vez que todo o desempenho do Rito Adonhiramita, interfere diretamente em correntes energéticas. Devido a isto, é que o Am.ʹ. Ir.ʹ. (Nom.ʹ. Hist.ʹ.) Dig.ʹ. Cobr.ʹ. neste exato momento, assim como durante todo o tempo em que permanece sentado, estará com a sua espada voltada com a lâmina para baixo em contato com o solo, descarregando as energias que absorve na função de para-raios, conforme já mencionado anteriormente.
  • A palavra de Aclamação
  • A palavra de Aclamação Vivat (pronuncia-se Vivá) é a antiga saudação utilizada ainda no inicio do Século XVIII. No Rito Francês ou Moderno, após a Revolução Liberal de 1789, ela foi substituída pela aclamação Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Vivat tem o mesmo significado da saudação escocesa que se pronuncia Huzzé, Huzzé, Huzzé, cuja tradução do hebraico é Vivá, Vivá, Vivá, que em latim corresponde ao Vivat, Vivat, Vivat. Vivat deriva do verbo Latino 'Vivere' significando "VIDA" e expressa o profundo querer por tudo o que existe. Os três Vivat, correspondem a estes três pedidos: "Que Ele viva. Que todas as pessoas vivam, que toda a criação viva". Podemos lembrar-nos de outras peculiaridades do Rito Adonhiramita, como o estalar dos dedos na aclamação, a subida um a um dos degraus na circunavegação, a ausência das CCol.ʹ. Zodiacais, a entrada em Procissão, a forma de executar a bateria do grau, além da cena da traição e da câmara ardente na Sessão Magna de Iniciação. AAm.ʹ. llr.ʹ. em todos os seus graus e qualidades, estas são algumas das principais peculiaridades da ritualística e da liturgia do Rito Adonhiramita que o identificam e o diferenciam dos demais Ritos. Mas deixamos bem claro, que estas peculiaridades não o tornam nem melhor e nem pior que os demais ritos, apenas diferente, mas, com o mesmo objetivo de todos os Maçons e da Maçonaria Universal, a busca do aperfeiçoamento de todos os seres humanos.

Fonte - http://www.adonhiramita.org/

domingo, 17 de julho de 2011

Rito Adonhiramita


O mais antigo documento conhecido referindo-se ao mestre arquiteto do Templo sob a denominação de Adonhiram é o Cathécisme des Francs Maçons ou Le Secret des Francs Maçons (Catecismo dos Franco-Maçons ou O Segredo dos Franco-Maçons), editado em 1744, de autoria, possivelmente, um abade, cujo nome seria Leonardo Gabanon. Em 1730, nasceu o Théodore de Tschoudy, considerado o organizador da segunda parte da obra Recueil Précieus de la Franc-maçonnerie Adonhiramite (Compilação Preciosa da Maçonaria Adorinamita), cuja primeira edição ocorreu em 1787. O Barão Tschoudy foi membro do parlamento de sua cidade natal, Metz, França, onde residiu de 1756 a 1765.

Maçom entusiasta e estudioso, Tschoudy utilizou seu aguçado espírito crítico para bater-se contra a proliferação desordenada dos altos graus do Rito de Heredon, do qual derivariam alguns dos ritos atuais, como o escocês, o moderno e o Adonhiramita. Inicialmente, Tschoudy se propôs a reformar os graus então existentes, reduzindo-os a quinze e depurando-os de tudo o que não fosse fiel à tradição maçônica. Em 1766, Tschoudy publicou L'Étoile Flamboyante ou La Société des Francs-Maçons (a Estrela Flamígera ou A Sociedade dos Franco-Maçons), obra em que propôs a criação de uma nova Ordem de altos graus, a Ordem da Estrela Flamígera, com três graus: Cavaleiro de Santo André, Cavaleiro da Palestina e Filósofo Desconhecido. Desentendendo-se com os membros do novo Conselho, dedicou-se ao já citado Recueil Précieus de la Franc-maçonnerie Adonhiramite.

Alguns autores, porém, atribuem a autoria da Compilação a Louis Guillemain Saint-Vitor. Esta interpretação foi feita por Ragon, que citou este último autor em seu ritual de mestre, na bibliografia nele mencionada. A confusão se deve à divisão da obra em duas partes, de estilos totalmente diferentes, sendo, a primeira, pródiga em notas e explicações, enquanto a segunda é lacônica e breve. Deduzem, os estudiosos, que a primeira parte foi escrita por Saint-Vitor e a segunda, por Tschoudy, em data anterior àquela.

A Compilação, aceita-se hoje, foi publicada em dois volumes, em 1787, incluindo os graus simbólicos, graças a Saint-Vitor, que os escreveu pouco antes da publicação, ou seja, quase vinte anos depois da morte de Tschoudy. A primeira parte da Compilação era relativa aos graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre. A segunda, compreendia os graus de perfeição: Primeiro Eleito ou Eleito dos Nove, Segundo Eleito Nomeado de Pérignan, Terceiro Eleito Nomeado eleito dos Quinze, Pequeno Arquiteto, Grande Arquiteto ou Companheiro Escocês, Mestre Escocês, Cavaleiro da Espada Nomeado Cavaleiro do Oriente ou da Águia, Cavaleiro Rosa Cruz e O Noaquita ou Cavaleiro Prussiano.

Na Europa, o Rito Adonhiramita foi praticado na França e em Portugal, difundindo-se das colônias e sendo o preferido da armada napoleônica. Com a difusão do Rito Francês ou Moderno, o Rito Adonhiramita começou a ser abandonado, restringindo a sua prática ao Brasil, onde se encontra a sua Oficina Chefe. Graças a isso, o Rito manteve a sua pureza original e não sofrendo as influências do teosofismo, ocorrida com os outros ritos no final do século XIX.
Em Portugal, a primeira Loja Maçônica se instalou em 1727, sendo regularizada pela Grande Loja de Londres em 1735, denominada Hereges Mercantes. Na Loja de Coimbra, fundada em 1773, encontravam-se os brasileiros Antônio de Morais Silva, Antônio Pereira de Souza Caldas, Francisco de Melo Franco e Joaquim José Cavalcanti. Igualmente, em outras lojas, em Lisboa e no Funchal, existiam irmãos brasileiros.

Em 18 de fevereiro de 1722, foi inaugurada a Academia Científica, fundada no ano anterior, com o apoio do então Vice-Rei D. Luís de Almeida Portugal Soares de Alarcão d'Eça e Melo Silva Mascarenhas, Marquês de Lavradio. Em 6 de junho, adota o nome de Sociedade Literária Rio de Janeiro, funcionando até 1790, quando a devassa da Inconfidência Mineira suspendeu os seus trabalhos. Essa Academia é tida, hoje, como uma loja maçônica disfarçada, como sugerem alguns textos posteriores como o que se segue, de autoria do Barão do Rio Branco, em Efemérides Brasileiras:

" Uma divisão naval francesa, comandada pelo Capitão Landolphe, tendo cruzado alguns dias perto da barra do Rio de Janeiro, fez algumas presas e segui, nesta data, para o Norte. Na altura de Porto Seguro, encontrou-se com a esquadra do comodoro inglês Rowley Bulteel, e no combate renderam-se duas fragatas francesas. Os prisioneiros foram entregues no Rio de Janeiro, ao Vice-Rei, Conde de Resende. Refere o Comandante Landolphe, que foi bem tratado, porque era pedreiro-livre. Um dos filhos do vice-rei levou-o a uma festa maçônica - introduzindo-o no recinto do templo - diz ele em suas memórias, ouvi, com muito prazer, o discurso do venerável..."
Outro fato importante, que poucas obediências de outros países possuem, é o manifesto, como prova de regularidade de origem da Maçonaria Brasileira, através de uma Loja Adonhiramita - A Loja Reunião - que se subordinava ao Grande Oriente de França. Em 1815, foi fundada a Loja Comércio e Artes que, com a divisão do seu quadro, formou outras duas: a Loja União e Tranqüilidade e a Loja Esperança de Niterói. Essas lojas adonhiramitas fundaram, em 17 de junho de 1822, o Grande Oriente do Brasil.

Em 1839, a Constituição do Grande Oriente do Brasil criou o Colégio dos Ritos, incluindo o Rito Adonhiramita. Em 1851, foi criado o Colégio dos Ritos Azuis e em 1873, o Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas, também pelo Grande Oriente do Brasil. Após a separação da Maçonaria Brasileira, os graus simbólicos ficaram com o Grande Oriente do Brasil e as Grandes Lojas e os Altos Graus jurisdicionados às respectivas Oficinas Chefes dos Ritos. Em 2 de junho de 1973, o Mui Poderoso e Sublime Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas para o Brasil instituiu os graus de Kadosh e aumentou o número de graus para trinta e três. A partir dessa data, o governo das Oficinas Litúrgicas do Rito Adonhiramita ficou a cargo do Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita.

O Rito Adonhiramita é o segundo mais praticado no Brasil, com especial concentração nos Estados de São Paulo e Pará. Atualmente, ele é reconhecido pelas potências maçônicas regulares, participantes da Confederação Maçônica Interamericana.

domingo, 15 de março de 2009

Rito Adonhiramita

O mais antigo documento conhecido referindo-se ao mestre arquiteto do Templo sob a denominação de Adonhiram é o Cathécisme des Francs Maçons ou Le Secret des Francs Maçons (Catecismo dos Franco-Maçons ou O Segredo dos Franco-Maçons), editado em 1744, de autoria, possivelmente, um abade, cujo nome seria Leonardo Gabanon. Em 1730, nasceu o Théodore de Tschoudy, considerado o organizador da segunda parte da obra Recueil Précieus de la Franc-maçonnerie Adonhiramite (Compilação Preciosa da Maçonaria Adorinamita), cuja primeira edição ocorreu em 1787. O Barão Tschoudy foi membro do parlamento de sua cidade natal, Metz, França, onde residiu de 1756 a 1765.

Maçom entusiasta e estudioso, Tschoudy utilizou seu aguçado espírito crítico para bater-se contra a proliferação desordenada dos altos graus do Rito de Heredon, do qual derivariam alguns dos ritos atuais, como o escocês, o moderno e o Adonhiramita. Inicialmente, Tschoudy se propôs a reformar os graus então existentes, reduzindo-os a quinze e depurando-os de tudo o que não fosse fiel à tradição maçônica. Em 1766, Tschoudy publicou L'Étoile Flamboyante ou La Société des Francs-Maçons (a Estrela Flamígera ou A Sociedade dos Franco-Maçons), obra em que propôs a criação de uma nova Ordem de altos graus, a Ordem da Estrela Flamígera, com três graus: Cavaleiro de Santo André, Cavaleiro da Palestina e Filósofo Desconhecido. Desentendendo-se com os membros do novo Conselho, dedicou-se ao já citado Recueil Précieus de la Franc-maçonnerie Adonhiramite.

Alguns autores, porém, atribuem a autoria da Compilação a Louis Guillemain Saint-Vitor. Esta interpretação foi feita por Ragon, que citou este último autor em seu ritual de mestre, na bibliografia nele mencionada. A confusão se deve à divisão da obra em duas partes, de estilos totalmente diferentes, sendo, a primeira, pródiga em notas e explicações, enquanto a segunda é lacônica e breve. Deduzem, os estudiosos, que a primeira parte foi escrita por Saint-Vitor e a segunda, por Tschoudy, em data anterior àquela.

A Compilação, aceita-se hoje, foi publicada em dois volumes, em 1787, incluindo os graus simbólicos, graças a Saint-Vitor, que os escreveu pouco antes da publicação, ou seja, quase vinte anos depois da morte de Tschoudy. A primeira parte da Compilação era relativa aos graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre. A segunda, compreendia os graus de perfeição: Primeiro Eleito ou Eleito dos Nove, Segundo Eleito Nomeado de Pérignan, Terceiro Eleito Nomeado eleito dos Quinze, Pequeno Arquiteto, Grande Arquiteto ou Companheiro Escocês, Mestre Escocês, Cavaleiro da Espada Nomeado Cavaleiro do Oriente ou da Águia, Cavaleiro Rosa Cruz e O Noaquita ou Cavaleiro Prussiano.

Na Europa, o Rito Adonhiramita foi praticado na França e em Portugal, difundindo-se das colônias e sendo o preferido da armada napoleônica. Com a difusão do Rito Francês ou Moderno, o Rito Adonhiramita começou a ser abandonado, restringindo a sua prática ao Brasil, onde se encontra a sua Oficina Chefe. Graças a isso, o Rito manteve a sua pureza original e não sofrendo as influências do teosofismo, ocorrida com os outros ritos no final do século XIX.
Em Portugal, a primeira Loja Maçônica se instalou em 1727, sendo regularizada pela Grande Loja de Londres em 1735, denominada Hereges Mercantes. Na Loja de Coimbra, fundada em 1773, encontravam-se os brasileiros Antônio de Morais Silva, Antônio Pereira de Souza Caldas, Francisco de Melo Franco e Joaquim José Cavalcanti. Igualmente, em outras lojas, em Lisboa e no Funchal, existiam irmãos brasileiros.

Em 18 de fevereiro de 1722, foi inaugurada a Academia Científica, fundada no ano anterior, com o apoio do então Vice-Rei D. Luís de Almeida Portugal Soares de Alarcão d'Eça e Melo Silva Mascarenhas, Marquês de Lavradio. Em 6 de junho, adota o nome de Sociedade Literária Rio de Janeiro, funcionando até 1790, quando a devassa da Inconfidência Mineira suspendeu os seus trabalhos. Essa Academia é tida, hoje, como uma loja maçônica disfarçada, como sugerem alguns textos posteriores como o que se segue, de autoria do Barão do Rio Branco, em Efemérides Brasileiras:

" Uma divisão naval francesa, comandada pelo Capitão Landolphe, tendo cruzado alguns dias perto da barra do Rio de Janeiro, fez algumas presas e segui, nesta data, para o Norte. Na altura de Porto Seguro, encontrou-se com a esquadra do comodoro inglês Rowley Bulteel, e no combate renderam-se duas fragatas francesas. Os prisioneiros foram entregues no Rio de Janeiro, ao Vice-Rei, Conde de Resende. Refere o Comandante Landolphe, que foi bem tratado, porque era pedreiro-livre. Um dos filhos do vice-rei levou-o a uma festa maçônica - introduzindo-o no recinto do templo - diz ele em suas memórias, ouvi, com muito prazer, o discurso do venerável..."
Outro fato importante, que poucas obediências de outros países possuem, é o manifesto, como prova de regularidade de origem da Maçonaria Brasileira, através de uma Loja Adonhiramita - A Loja Reunião - que se subordinava ao Grande Oriente de França. Em 1815, foi fundada a Loja Comércio e Artes que, com a divisão do seu quadro, formou outras duas: a Loja União e Tranqüilidade e a Loja Esperança de Niterói. Essas lojas adonhiramitas fundaram, em 17 de junho de 1822, o Grande Oriente do Brasil.

Em 1839, a Constituição do Grande Oriente do Brasil criou o Colégio dos Ritos, incluindo o Rito Adonhiramita. Em 1851, foi criado o Colégio dos Ritos Azuis e em 1873, o Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas, também pelo Grande Oriente do Brasil. Após a separação da Maçonaria Brasileira, os graus simbólicos ficaram com o Grande Oriente do Brasil e as Grandes Lojas e os Altos Graus jurisdicionados às respectivas Oficinas Chefes dos Ritos. Em 2 de junho de 1973, o Mui Poderoso e Sublime Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas para o Brasil instituiu os graus de Kadosh e aumentou o número de graus para trinta e três. A partir dessa data, o governo das Oficinas Litúrgicas do Rito Adonhiramita ficou a cargo do Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita.

O Rito Adonhiramita é o segundo mais praticado no Brasil, com especial concentração nos Estados de São Paulo e Pará. Atualmente, ele é reconhecido pelas potências maçônicas regulares, participantes da Confederação Maçônica Interamericana.