Emiliano Perneta
EMILIANO PERNETA, POETA ANSIOSO PELA REVELAÇÃO DO MISTÉRIO Neste artigo tentarei indicar o que me parece ser o caráter essencial da obra poética madura de Emiliano Perneta (1866-1921), obra essa representada pelo livro “Ilusão”, publicado em 1911, pelo poema dramático “Pena de Talião” (1914) e pela coletânea póstuma “Setembro” (1934). EP é o poeta da ilusão. Para ele, nosso mundo é de aparências, está envolto pelo “véu de Maia”, conforme a concepção hinduísta, cuja presença é mais evidente em seu livro de estréia—“Músicas” (1888). Por traz do mundo ilusório, existe um outro mundo, que ele não sabe precisar como é, mas ao qual sente pertencer (“Vozes”). O outro mundo, que também contém elementos da tradição judaico-cristã (o pai de EP era cristão-novo), é o mundo do espírito, promessa de felicidade e alegria, já presentes na beleza que todo artista busca e quase nunca alcança. EP pensa como Stendhal que “La beauté est une promesse de bonheur” e c...